domingo, 18 de novembro de 2007

Trago a Memória Aquilo que me dá Esperança, Lamentações 3,18-26

Todos nós temos lembranças, umas boas, outras más. Mas como é de costume lembramos mais das más, então fica aquela velha história que todos conhecemos: “Quem bate esquece, quem apanha lembra”. Mas não vi aqui esta noite falar de brigas e sim, de esperança, de uma esperança como está escrita em Lamentações 3,18-26, palavras proferidas por um homem em meio a uma situação de desespero.
De acordo com o dicionário Aurélio a esperança é o ato de esperar o que deseja, é fé, confiança. Podemos dizer que é a esperança é um sonho e completar com as palavras de um sábio: “a esperança é o sonho do homem acordado” (Aristóteles). Mas você pode me dizer, como ter esperança hoje em dias tão difíceis, como ter esperança quando tudo parece errado. Às vezes dá vontade de desistir, abandonar tudo e dizer eu estava errado, eu não consigo mesmo fazer essas coisas, nasci pra sofrer.
Sento para ler os jornais e só o que encontro são notícias de violência, corrupção e pobreza. Vou assistir os telejornais e o que acompanho é o mesmo, são casos que chegam ao extremo, como a de filhos que tramam o assassinato do próprio pai. Mas não preciso ler apenas os jornais, sei que em nossas famílias há casos que achamos que não temos mais esperança. São os filhos que não andam como os pais desejam, são pais que não conseguem amar os seus filhos. Casas que muitas vezes os filhos não têm o que comer, outros que têm o que comer, mas não tem amor entre seus membros. Tudo isso revela algo: o que nós temos trazido na memória, esperança ou frustração e desespero? Quero convidá-los para juntos refletirmos no texto que lemos de Lamentações e aprendermos como nos comportar diante da adversidade e o sofrimento.

1. Quando a Paz vai Embora


Para compreendermos o que estava acontecendo nessa época precisamos fazer uma volta ao tempo. Especificamente ao ano de 587 a.C.
O povo de Judá foi capaz de pensar que eles eram a única raça escolhida por Deus. Como tal, eles sentiram que poderiam sempre experimentar boas coisas. Deus tinha feito um concerto de bênçãos com eles, mas isto tudo era condicional. Uma descarada desobediência poderia significar que os bons aspectos das bênçãos poderiam ser substituídos por um castigo. O cumprimento das promessas de bênção podiam sempre pular algumas gerações de israelitas que eram desobedientes. Os Livros de 2Rs e 2Cr descrevem o declínio moral do Reino de Judá (apesar das advertências proféticas), que conduzia à derrota e ao cativeiro (ver 2.17). Quando o rei Zedequias se rebelou contra os babilônios, aos quais o povo de Judá ficou sujeito, Nabucodonosor atacou Jerusalém (2Rs 24.20).
Enquanto ele estava sitiando a cidade, o povo que estava dentro da cidade estava faminto. Quanto eles romperam o muro, Zedequias e os soldados procuraram fugir (2Rs 25.4). Mas eles logo foram levados cativos. Nubuzaradã, capitão da guarda de Nabucodonosor, destruiu a maior parte de Jerusalém, queimou o templo e levou a todos, exceto as pessoas mais pobres, para o exílio (2Rs 25.8-12).
Agora coloquemos essa imagem em nossas mentes. Uma cidade arrasada. Todas as casas destruídas e fome entre o povo. Uma cidade que antes fora considerada grande, princesa, agora devastada. O templo do Senhor que eles amavam tanto, fora invadido, saqueado e agora estava em ruínas, não tinham onde se reunir para louvar ao Senhor. Uma cidade que continuamente chora de noite, e as suas lágrimas correm pelas suas fazes, não tem quem a console (Lm 1,2). Agora podemos ler novamente Lamentações 3,18-20 e compreender porque este homem se sentia assim: Então eu disse: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor. Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, da amargura e do fel. Minha alma certamente se lembra, e se abate dentro de mim.
Grande era o sofrimento daquele homem e daquela cidade. Igualmente a eles passamos por momentos difíceis, de sofrimento e a nossa esperança no Senhor parece desaparecer. As palavras do profeta são que sua força tinha se acabado e junto com ela a sua esperança no Senhor. Realmente seria difícil pensar em algo bom diante dessa situação. Muitas vezes reclamos de algo simples, nos chateamos, mas nos esquecemos que existem problemas muito piores do que os nossos. Passamos a viver em conexão com o problema, dedicando toda a nossa vida ao problema e esquecemos-nos de nos alegrar com as coisas simples da vida. E acabamos não dando nenhuma resposta ao nosso sofrimento. Não foi o que profeta fez:

2. Trago a Memória Aquilo que me dá Esperança



Acho a resposta desse homem ao sofrimento a mais perfeita de todas. Talvez ele devesse continuar o seu lamento. Se nos capítulos 1 e 2 ele trata da destruição de Jerusalém, da miséria e do pecado do povo, agora no capítulo 3, ele trata da severidade do castigo de Deus, mas também de sua misericórdia e bondade, e como um refrigério ele confirma submissão a esse Deus.
Em meio ao sofrimento o profeta deseja trazer à memória aquilo que lhe dá esperança. Eu imagino que pensamentos são esses. De um Deus que tinha libertado o seu povo da escravidão e que os tinham conduzido pelo deserto. Que disse que faria deles uma grande nação, de um Deus amoroso que os chamavam de filhos amados, e que nenhuma promessa deixou de cumprir. Isso é recordar no coração aquilo que dá esperança, é nos aproximar daquilo que desejamos e nos afastar do que tanto tememos.
Lamento porque nos nossos dias sabemos reclamar demais. Porque tudo dá errado em minha vida, nada estar certo, parece que Deus se esqueceu de mim. Vocês estão lembrados o que Jesus disse na última ceia? “Fazei isto em memória de mim”. Era para se reunir diante da mesa e lembrar o seu sacrifício na cruz por todos nós. E a coisa melhorar do que lembrar Jesus? Quero trazer a memória aquilo que me dá esperança, quero trazer a memória Jesus Cristo. Muitas pessoas estão passando por grandes sofrimentos e encontraram a Jesus e tiveram suas vidas transformadas. Estão lembrados daquela mulher pega em adultério e que os sacerdotes queriam apedrejá-la? Essa é uma situação de sofrimento e também de vergonha. Mas Jesus constrange aqueles homens e diz: “Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?... Nem eu também te condeno, vai-te e não peques mais (Jo 8,9-11). E aquela outra que sofria de uma hemorragia há doze anos e já tinha gastado tudo: filha, a tua fé te salvou (Mc 5,34). E a que teve uma filha curada? Os coxos, cegos, leprosos? Tantos milagres, tantas alegrias, é isso que quero trazer a memória em meio ao sofrimento.

3. Minha porção é o Senhor

Falei de muitos milagres. Mas o nosso profeta vai além. Ele perdeu tudo o que tinha, toda a sua riqueza fora levada, viu os filhos de sua cidade serem destruídos. Mas uma coisa não podiam tirar dele. Isso nunca tirariam dele, por isso sua resposta é firme: Minha porção é o Senhor. Tudo o que ele tinha era o Senhor. E era a fidelidade deste Deus que fazia com que ele continuasse a viver. Não importava se tinha perdido tudo, se sua cidade estava desolada, ele sabia que Deus não tinha o abandonado. E em meio ao sofrimento, a amargura ele clama dizendo: Bom é esperar no Senhor, bom é ter esperança!
Isto é fé, é convicção, é certeza que aquele que nos chamou é fiel para fazer muito mais do que imaginamos. Ele não está vendo nada de diferente, não estava ouvido nada que parecesse mudar a sua situação, mas ele sabia que Deus tinha preparado o melhor para ele.
Quantos de nós temos coragem de fazer isso. Ás vezes é necessário que Deus tire tudo o que nós temos para compreendermos que tudo o que precisamos é somente dEle. É quando eu me esvaziou de mim mesmo e me encho do Espírito do Senhor que posso dizer: Minha porção é o Senhor! Às vezes lutar em meio ao sofrimento, significa sentar e aguarda em silêncio a salvação do Senhor!
Que Deus nos abençoe!

Um comentário:

Janaína Impassionato disse...

Vou levar esta palavra á minha célula hoje e sei que será uma benção... Deus abençoe a Palavra que Deus lhe deu Pastor!!!